De Cobija a Macapá | A Pan-Amazônia está em festa. Viva o VII Fórum Social Pan-Amazônico

Um canto alto de guerra ecoou na floresta em harmonia com o canto triste do uirapuru. Rufam os tambores e caixas de Marabaixo. Cobija (Bolívia) cumpriu sua missão e a cuia com as águas do caudaloso Rio das Amazonas avança em movimentos rápidos, de mão em mão, sobre o território e assim, realiza-se, com ternura a missão: a defesa milenar de rios e florestas; das populações originárias e de seus filhos, nas matas e cidades.

O ciclo de lutas dos povos da Pan-Amazônia se refaz, se reenergiza, se-reabre ao grande portal América-África-Indígena das mais variadas e lindas etnias da mãe panamazônica e mais uma vez com maestria o ritual de passagem de nossos ancestrais é cumprido.

O tempo-destino, senhor de todos os ritos, mitos… Agora, é de Macapá (AP), cidade irmã que abraça personas de todo mundo. Dos que lutam por justiça, preservação da cultura milenar indígena, do protagonismo negro, caboclo…

Tem início, então, o VII Fórum Social Pan-Amazônico. O ritual preservado dá-se início, com a mística de todos os povos, de várias crenças, todos os protagonistas da luta. O ritmo é o das caixas de Marabaixo, dos tambores negros, do canto índio de várias etnias. São Kaxuyanas e Tiriós, que desceram da serra de Tumucumaque na divisa do Pará com o Suriname, e agora, ecoam com seus cantos e dançam pra saudar e envolver a todos e todas.

A marcha tem início e segue, do Araxá, parte continental da orla do

Rio das Amazonas e desce rumo à Fortaleza de São José, santo protetor da cidade. É um vai-e-vem, da Fé e certezas: Um outro mundo possível, uma outra Amazônia para os povos da floresta. São cores, são cantos, são odores miscigenados da Pan-Amazônia que agora desembocam num grande mar de gente, povos, identidades. A Amazônia e suas amazonidades estão em festa mais uma vez!

Em apoteose, sob o olhar de mais de mil pessoas, ao lado da Fortaleza de São José, Merlany Tirió recebe a cuia com água do Rio das Amazonas das mãos de Doris Dominguez (Cobijo-Pondo/Bolívia). Ambas bebem do mesmo líquido que simboliza o rito de passagem. De Bolívia (Cobija) a Brasil (Macapá), se repete por mais uma vez a saudação de nossos ancestrais. Tem-se início o VII Fórum Social Pan-Amazônico. É festa na grande aldeia! No Meio do Mundo Os Povos Se Encontram, embalados pelo batuque/dança de Filhas do Criau/Quilombo (Curiau/Macapá/Brasil), Kristofer Herrera e Companhia de Dança Exíbila (Venezuela).

Fotos: Carolina de Oliveira, Willys Lins e Otávio Rodrigues

 

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